Tratamento de usuários de álcool e droga é ampliado e passa a acolher população em situação de rua
Por Redação Publicado 6 de junho de 2018 às 09:18hs

O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (AD) passa de III para IV na referência de atendimento e amplia a oferta de leitos de acolhimento de 12 para 20, além de contar com equipe para atuar na cena de uso de drogas em população em situação de rua. Assim que o serviço for habilitado junto ao Ministério da Saúde, Campo Grande passará a ser a primeira cidade do País a contar com esse tipo de atendimento.

O objetivo da unidade, que pertence a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande, é habilitar o serviço com custeios de Ministério da Saúde ainda este ano. Enquanto isso não ocorre, o custeio será integralmente do Município, oferecendo todo o suporte necessário para a execução do serviço.

A primeira abordagem em cena de uso de drogas deve ocorrer nesta quarta-feira (06) e a equipe visitará em parceria com outros serviços de saúde a população em situação de rua, para facilitar o acesso ao tratamento da dependência química.

Essa é uma maneira de oferecer a abordagem e o tratamento adequado e esta população, que é alvo de críticas por conta da dependência química, considerada uma doença. Após a abordagem em cena de uso e avaliação da equipe multiprofissional, o paciente pode ser encaminhado para o CAPS AD ou dependendo das condições clínicas, direcionado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou Centro Regional de Saúde (CRS).

No CAPS AD, o paciente recebe todo o suporte necessário, com a elaboração de projeto terapêutico singular, que tem por objetivo tratar a dependência química do álcool e das drogas.

Dentre as atividades, a oficina de crochê é uma ferramenta de terapia que alivia o desejo de ingestão das substâncias viciantes. O paciente Cláudio Farias (53) está em tratamento na unidade há cinco anos e diz que a terapia com crochê distrai a cabeça. “Todos os dias eu venho até a unidade e recebo o acompanhamento. No final da tarde eu retorno para casa e passo os fins de semana com a família”, disse ele.

Para Cláudio, o apoio familiar e da equipe de CAPS AD foi muito importante no processo para abandonar o vício das drogas. “Eu pedi a colaboração da minha família para me ajudar a deixar as drogas e álcool, enquanto que aqui eu recebia todo o apoio necessário”. Ele conta que chegou a viver por um período nas ruas, mas que após iniciar o tratamento, isso não mais aconteceu.

A história do Cláudio é semelhante aos mais de 900 pacientes que fazem acompanhamento na CAPS AD e que recebem o suporte necessário para abandonar o vício. Além das oficinas de terapias ocupacionais, eles recebem apoio de psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos, médico plantonista 24h e farmacêuticos.

“Esta ampliação da capacidade de atendimento é reflexo do nosso trabalho em oferecer tratamento digno e humanizado para pessoas em situação de rua e que fazem uso de álcool e drogas. Nossa abordagem é para orientar e oferecer o tratamento”, explicou a responsável pela Coordenadoria de Saúde Mental da Sesau, Ana Carolina Guimarães.

“Vamos manter o funcionamento destes novos serviços enquanto a habilitação do Ministério da Saúde não é aprovada. Precisamos executar essas novas ferramentas para solicitarmos a aprovação junto ao Governo Federal. Nosso compromisso é com esta população em situação de rua e que faz uso de álcool e drogas e que precisa abandonar o vício”, defendeu o secretário da Sesau, Marcelo Vilela.

No CAPS AD é oferecido acolhimento à demanda espontânea sem a necessidade de encaminhamento, das 7h às 19h, mas funciona 24h por dia, todos os dias da semana,no atendimento de pacientes albergados. No local são oferecidas refeições para todos os pacientes.

A população pode colaborar informando se encontrar pessoas em situação de rua em cenas de uso de álcool e drogas. Basta ligar no 3314-3756 (em horário comercial) e informar o endereço exato da situação, bem como as características físicas da pessoa.