Supersafra impõe novo desafio e governo já atua para ampliar capacidade de armazenamento
Por Redação Publicado 4 de agosto de 2017 às 14:00hs
Jaime Verruck

O posicionamento de Mato Grosso do Sul como um dos maiores produtores de grãos do País, com altos índices da produção agrícola nos últimos anos, impõe ao campo um novo e urgente desafio. O Estado não tem capacidade instalada para armazenar sequer metade da supersafra que se projeta para esse ano, beirando as 20 milhões de toneladas de grãos. E o governo já está tomando medidas para enfrentar o problema, assegura o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck.

“Algumas ações nós já temos tomado em curto prazo. O governo federal, preocupado com a questão, lançou no Plano Safra recursos específicos para armazenagem. Uma grande ação que vale para Mato Grosso do Sul também. E nós, no âmbito do FCO [Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste], também estamos priorizando o setor. O produtor rural pode pegar o financiamento para fazer a armazenagem em sua propriedade, ou as cooperativas, ou as próprias cerealistas ou a própria indústria. Nossa perspectiva é que essa produção vai se manter, estamos incorporando área, estamos desenvolvendo tecnologia, então a tendência é dessa produção pra mais”, enfatiza.

Só nesse ano, já foram contratados junto ao FCO recursos para construir armazéns com capacidade para 800 mil toneladas. Vão desde armazéns novos, ainda ampliação e reforma. Verruck cita ainda os esforços das cooperativas presentes no Estado, como a Cooperativa Agrícola Sul-Mato-Grossense (Copasul), que recentemente inaugurou um armazém em Ivinhema, a Agroindustrial Cooperativa (Coamo) está inaugurando outros três, inclusive um em Sidrolândia, a Lar Cooperativa Industrial que fez uma ampla reforma em todas suas estruturas para receber mais grãos, e “vários outros produtores que já estão inaugurando e disponibilizando armazéns para essa safra”.

Porém os armazéns em construção estarão disponíveis para a próxima safra e o problema urgente é com a safra atual, que já está em fim de colheita. Nesse sentido, o secretário Jaime Verruck cita que também foi enviado um ofício à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) solicitando que seja disponibilizada a capacidade instalada de armazenamento da companhia em Mato Grosso do Sul, e também que se amplie a oferta de leilões de milho no Estado para desocupar outras estruturas.

O armazenamento da safra é importante para que o produtor não tenha necessidade imediata de venda, podendo esperar que os preços dos produtos subam. “Toda vez que se armazena, você tem condições de conseguir um preço melhor para sua produção. Porque você regula a oferta do mercado. Portanto, o armazenamento não tem só a função de guardar o produto, mas também o papel de regular os preços na economia”, pondera o secretário.

Capacidade

Conforme levantamento feito pela Coordenadoria de Economia e Estatística da Superintendência de Indústria, Comércio, Serviços e Turismo da Semagro, Mato Grosso do Sul dispõe de 867 armazéns instalados com capacidade total para 9 milhões de toneladas de grãos. Lembrando que a estimativa da safra atual é de 19,88 milhões de toneladas, portanto, a capacidade de armazenamento não suporta nem metade da produção prevista no Estado. Por outro lado, a Fundação das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda que a capacidade de armazenamento seja 20% superior ao total estimado da safra.

O problema do armazenamento de grãos no Estado começou a se agravar a partir do ano 2000. Até então, a capacidade de armazenamento crescia a taxa média de 5%, enquanto a produção ficava em 1,7%, mostra o levantamento da Coordenadoria. Após o ano 2000 a produção agrícola passou a crescer a taxas de 10% ao ano, enquanto a capacidade de armazenagem manteve o ritmo anterior de crescimento. Entre 2010 e 2014 o campo sofreu a revolução tecnológica e a produção acelerou o ritmo de crescimento para taxas de 16,74% ao ano, enquanto que a capacidade de armazenamento crescia a 3,6%.

Além disso, a distribuição desses armazéns não satisfaz o mapa agrícola do Estado. Só em Maracaju, Ponta Porã e Sidrolândia, por exemplo, o déficit de armazenamento supera 1 milhão de toneladas.

Sem ambiente adequado para guardar os grãos, os produtores têm se obrigado a vender a safra na medida em que é colhida, e quando os preços estão baixos pela abundância de oferta. Ou ainda improvisar o armazenamento em silos-bags, estruturas em lona de polietileno, que são boas alternativas para regiões frias, com baixa umidade, o que não é o caso de Mato Grosso do Sul.