Serra Talhada é palco de debate sobre diversidade na arte
Por Redação Publicado 27 de novembro de 2015 às 17:19hs
O seminário Arte na diversidade: Ética e Estética foi iniciado na manhã desta sexta-feira (27), em Serra Talhada (PE), integrando a programação do IX Encontro Nacional de Culturas Populares e Tradicionais. A mesa de abertura contou com o poeta, repentista e cantador de Antônio Cardoso (BA), Mestre Bule Bule, o escritor e pesquisador de literatura fantástica de Campina Grande (PB) Bráulio Tavares e a presidenta da Fundação Casa de Rui Barbosa, Lia Calabre.
O mediador do debate, o secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (MinC), Guilherme Varella, lembrou que o seminário faz parte do programa Cultura e Pensamento e destacou a importância simbólica de ele ser realizado no Sertão do Pajeú pernambucano e dentro de um evento como o IX Encontro Nacional de Culturas Populares e Tradicionais.
“A gente tem uma proposta muito clara de fazer do Cultura e Pensamento um encontro de saberes que consiga refletir a diversidade dos saberes acadêmico, de fora da academia, das culturas populares, das culturas indígenas, colocá-los dentro de uma mesma plataforma e expor toda a complexidade do pensamento cultural brasileiro”, introduziu.
Mestre Bule Bule abriu sua exposição tocando viola e entoando versos enredados pelo refrão “O sertão melhorou tanto que nem parece sertão”. Perguntado sobre como definiria este encontro de saberes populares, Bule Bule foi direto. “É tudo aquilo que o Brasil sempre fez sem ser oficial. Se hoje você encontra em cada canto do Brasil um mestre que é de relevância para trazer para este evento, é porque eles continuaram fazendo seu trabalho desde que começaram, não pararam. Agora está sendo oficial”, disse.
O escritor Bráulio Tavares destacou que a região do Sertão do Pajeú é muito rica historicamente por ser uma das fontes do Cangaço e a terra natal e de atuação intensa do cangaceiro Virgulino Ferreira, o Lampião. “Só isso já nos coloca algo crucial da cultura brasileira, que é a revolta rural, a revolta do homem nordestino, cantada e decantada por Glauber Rocha em Deus e O Diabo na Terra do Sol”, disse.
Do ponto de vista das expressões da cultura, Tavares lembrou que a região tem uma produção de pensamento intensa de cantadores, cordelistas e poetas populares há quase 100 anos. “O brasileiro pensa o Brasil de manhã, de tarde e de noite. Não tem assunto que preocupe mais o brasileiro do que o Brasil. E é isso que a gente precisa refletir nas nossas telas, na imprensa, no mercado editorial, no mercado fonográfico, em todos os lugares”, afirmou. “Sabemos o que a academia, as lideranças políticas, os grandes escritores como Guimaraes Rosa, Gilberto Freire, Euclides da Cunha e outros falam sobre o Brasil. Mas o brasileiro da rua teoriza o Brasil de todas as maneiras possíveis”, disse.
O seminário Arte na diversidade: Ética e Estética continua neste sábado (28), com mais duas mesas. Confira a programação ao final da matéria.
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, participaria, nesta sexta-feira, de roda de conversa com artistas, gestores e fazedores de cultura durante o IX Encontro Nacional de Culturas Populares e Tradicionais. A ida do ministro, no entanto, foi cancelada por falta de condições de pouso em Serra Talhada.
Cultura e Pensamento
O programa Cultura e Pensamento é uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Políticas Culturais (SPC), em parceria com a Fundação Casa de Rui Barbosa. O programa teve seu primeiro ciclo realizado entre 2005 e 2012, focado no debate teórico acerca da cultura. Em 2015, ele foi retomado com a proposta de estimular a reflexão e a interlocução entre diferentes visões do campo da cultura, ultrapassando a barreira acadêmica e reunindo grupos culturais, movimentos, redes, ativistas, intelectuais, fazedores e fazedoras de cultura, jovens inovadores, mestres e mestras, aproximando campos sociais, territórios e correntes de pensamento.
Programação
Sábado, 28 de novembro
09h00 às 10h30 – Mesa 2: O protagonismo cultural e o diálogo entre os saberes
 – Adriano Marcena (escritor, historiador, professor e dramaturgo), de Jaboatão dos Guararapes/PE;
 – José Jorge de Carvalho (antropólogo, professor associado da Universidade de Brasília, pesquisador do CNPq e coordenador do INCT – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa, do Ministério de Ciência e Tecnologia e do CNPq), de Brasília/DF;
 – Mestra Lucely Pio (raizeira, especialista em farmácia tradicional), de Cedro/GO.
11h00 às 13h00 – Mesa 3: A influência do Sertão nas identidades culturais do povo brasileiro
 – Anildomá Willians de Souza (escritor e pesquisador, especialista em história do Cangaço, secretário Municipal de Cultura de Serra Talhada), de Serra Talhada/PE;
 – Ésio Rafael (poeta e pesquisador da Cultura Popular), de Sertânia/PE;
 – TT Catalão (jornalista, poeta, fotógrafo e diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan), de Brasília/DF.
Vinicius Mansur
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura
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