Prefeitura lança campanha para conscientizar a sociedade sobre as consequências de dar esmolas
Por Redação Publicado 18 de abril de 2018 às 12:35hs

A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), lançou nesta quarta-feira (18) a campanha “Onde a esmola acaba, o direito começa”. O ato aconteceu no canteiro da Avenida Afonso Pena, região central da cidade. A ideia é conscientizar a população a não contribuir com a mendicância.

O prefeito Marquinhos Trad ressaltou que, mesmo que a intenção da pessoa seja a de ajudar, ao dar dinheiro ou mesmo comida às pessoas em situação de rua, em vez de ajudá-las a se ressocializarem, contribui para que continuem na mesma situação.

“Claro que a pessoa oferece um valor ou uma moeda pensando no bem do outro, mas não tem a consciência do todo, já que esse gesto faz com que essa pessoas em situação de rua se acomode nessa situação, que certamente é mais fácil do que buscar uma mudança em sua vida, que na maioria das vezes já foi acometida por vícios em álcool, drogas, entre outros fatores que ferem a dignidade do ser humano”, pondera o prefeito.

Neste sentido, a vice-prefeita de Campo Grande e idealizadora do projeto, Adriane Lopes, explica que o objetivo da campanha é informar e orientar a  sociedade da importância da não contribuição com a mendicância e sim a oportunização a ressocialização deste público, dando-lhes dignidade.

“Queremos orientar e informar a sociedade que qualquer ajuda, seja com moedas, ou alimentação, entre outros, contribui para que estas pessoas permaneçam nas ruas, em situação de vulnerabilidade social e perpetuando a pobreza. O município mantém unidades de acolhimento que oferecem serviços de hospedagem, alimentação, higiene, encaminhamento para qualificação profissional, tratamento de saúde, enfim, toda uma rede para de fato assistir uma pessoa em situação de rua”, explica Adriane.

Ao ser abordado pela equipe da Prefeitura, que passou a manhã no centro da cidade fazendo a entrega de panfletos da campanha, o cabelereiro Juarez Alves, 47 anos, disse que entendeu  a mensagem e reconheceu que tem uma visão equivocada sobre a generosidade para com o próximo.

“A gente fica com dó e acaba dando dinheiro imaginando que dali a pessoa vai comprar comida. Mas muitas vezes a gente até vê que ele pega a moeda e já entra no primeiro bar para comprar álcool e aí pensamos que tudo bem, fizemos a nossa parte. Mas, agora me deu um estalo, pois de fato um gesto mesmo que pensando no bem, está contribuindo para que essa pessoa continue no desamparo e nessa triste situação”, disse Alves, que é morador do Bairro Serra Azul.

Em parceria com a Agetran e a Subsecretaria de Direitos Humanos, durante a campanha serão distribuídos folders, instaladas as placas nos semáforos, inseridos cartazes em outdoor e busdoor.

Todo material terá informações e telefones do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) para denúncia, oportunizando assim as pessoas em situação de rua a terem atendimento e atividades direcionadas para o desenvolvimento de sociabilidades na perspectiva de fortalecimento de vínculos interpessoais ou familiares que oportunizem a construção de um novo projeto de vida.

O vice-presidente  do Conselho Comunitário de Segurança da Área Central de Campo Grande, José Luiz Kreutz, aprova a iniciativa da Prefeitura. “Essa campanha vem ao encontro do trabalho do conselho, que desde 2009 atua no sentido de buscar apoio para solucionar questões como a dos moradores de rua. A Prefeitura foi feliz com essa iniciativa e espero que a população entenda o contexto da mesma. Muitas vezes a pessoa diz ‘ah, mas eu só deu R$ 0,50 ou R$ 1, mas não entende que no final do dia esse valor multiplicado será revertido em drogas para esse pedinte e para seus colegas. Essa é uma grande problemática já que a sociedade acaba fomentando a distribuição de drogas e incentivando esse morador a continuar nas ruas. Muitos são profissionais de alta estirpe, porém morar na rua é mais fácil para eles”, pondera.

O secretário municipal de Assistência Social, José Mário Antunes, explica que aquele que oferece esmola está dando uma falsa esperança a quem a recebe. “A esmola alimenta a falsa esperança, já que a satisfação dessas pessoas será momentânea e enquanto durar aquele valor. Com isso, elas se recusam a aceitar o acolhimento da assistência social, que tem todo um suporte de encaminhamento para que haja de fato a retomada da dignidade desse cidadão. A Constituição diz que todos têm o direito de ir e vir, então, não podemos obrigar o cidadão a aceitar o acolhimento. Atuamos incansavelmente nessa busca ativa, porém, quando as pessoas estão sustentando o cidadão nas ruas, com a esmola que oferecem, estão prejudicando a solução desse problema”, justifica o titular da SAS.

Neste contexto, o prefeito Marquinhos Trad reforça a eficiência dos serviços disponíveis pelo Município em atendimento a esse público específico. “As pessoas muitas vezes julgam sem conhecer a realidade. É mais fácil dizer que o poder público não está fazendo nada para resolver essa questão do que buscar entender como funciona esse processo. Eu posso afirmar com absoluta convicção que as unidades de acolhimento da assistência social são preparadas para atender toda essa demanda da maneira mais digna que existe, mas precisamos da ajuda da sociedade para que esse morador de rua entenda que continuar nessa situação é o pior caminho para ele”.

Busca Ativa

A SAS, por meio do Serviço Especializado em Abordagem Social – SEAS, realiza a busca ativa de pessoas em situação de risco. O SEAS identifica indivíduos ou famílias, assim como crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, exploração sexual, uso abusivo de crack e outras drogas, que utilizam os espaços públicos como meio de moradia ou de sobrevivência.

O SEAS funciona no período de 24 horas, sendo que até as 23 horas a equipe encontra-se nas ruas da cidade realizando a abordagem social, com o intuito de acolher os indivíduos que aceitam o convite para pernoitar no Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante (Cetremi).

Após as 23 horas, a equipe encontra-se na Unidade atendendo as denúncias realizadas através do telefone funcional (67) 98405-9528 ou 99290-8174.

O Cetremi, que é prioritariamente uma casa de passagem para atender o migrante, está disponível para acolher esse público a qualquer hora. Já pessoas em situação de rua, o Cetremi acolhe até as 19 horas ou a qualquer hora através da abordagem e encaminhamento do SEAS.

No período de frio e chuva, os indivíduos abordados que não aceitam recondução para o Cetremi, recebem cobertores e orientações realizadas pela equipe.

A maioria dos moradores de rua é usuário de álcool e outras drogas e negam atendimento, pois sabem que sendo encaminhados ao Centro Pop, irá ficar sem os entorpecentes.

A assistência social faz abordagem de moradores de rua, e quando é detectado que o mesmo é usuário de substâncias psicoativas, é orientado e encaminhado para a Saúde para o caso de tratamento.

O ato de lançamento da campanha contou com a presença da secretária municipal de Cultura e Turismo, Nilde Brun; do diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito, Janine de Lima Bruno; do diretor-presidente da Fundação Social de Trabalho, Cleiton Freitas Franco e da subsecretária municipal de Políticas para a Mulher, Maritza Cogo.