Movimento do Comércio em 2017 superou ano anterior
Por Redação Publicado 30 de janeiro de 2018 às 11:57hs
O economista-chefe da ACICG, Normann Kallmus

O levantamento do Movimento do Comércio Varejista (MCV) produzido pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) mostrou que, o mês de dezembro atingiu 109 pontos, indicando queda nas vendas em relação ao mesmo período de 2016. O resultado, porém, foi melhor que o registrado no mês  de novembro, quando o índice atingiu 100 pontos, e a média do MCV do ano (93,83) também demonstrou melhoria sobre o ano anterior (93,17).

João Carlos Polidoro, presidente da ACICG disse que o fim do ano de 2017 foi bom para o comércio e as perspectivas para 2018 são boas. “Superamos os resultados de 2015 de uma maneira muito forte. O movimento parou de cair e, embora em 2017 não tenha crescido muito, a média ficou acima de 2016 e bem próximo da estabilidade, com tendência de recuperação para 2018. Sobre o fim de ano tivemos algumas notícias positivas como, por exemplo, aqueles que conseguiram investir na Black Friday, acabaram antecipando para novembro as vendas do Natal”, revela.

Metodologia – O MCV/ACICG é um índice apurado a partir da evolução dos dados do setor, englobando as transações realizadas entre empresas e também entre consumidores e o comércio. Considerando a sazonalidade característica da atividade comercial, o MCV foi desenvolvido com base fixa definida pela média do desempenho do ano de 2014. O Índice é composto de dois outros sub índices que ajudam a avaliar sua evolução: o MCV-PF, que analisa as transações entre Pessoas Físicas e as empresas do setor terciário, e o MCV-PJ, que avalia as transações entre as empresas.

O MCV-PF de dezembro de 2017 foi de 115 pontos, 13 abaixo do resultado apresentado em dezembro de 2016 (128). Já MCV-PJ do mesmo período foi de 58 pontos e também ficou abaixo do índice alcançado em 2016, quando chegou a 71 pontos.

Inadimplência

O Índice de Negativação do Comércio (INC) encerrou o mês de dezembro em 41 pontos, 16 pontos acima do indicador novembro (25), e seis pontos acima do mesmo período em 2016 (35). Já o Índice de Recuperação de Crédito (IRC) de dezembro foi de 55 pontos, contra 43 registrados em novembro, mas sete pontos abaixo do índice alcançado no mesmo período de 2016 (62). “O aumento do Índice de Recuperação em dezembro de 2017 é consistente com o comportamento sazonal, mas ficou abaixo de dezembro de 2016. Já o Índice de negativação cresceu tanto em relação ao mês anterior (novembro), quanto ao ano anterior (2016)”, ressalta o economista-chefe da ACICG, Normann Kallmus.

“No ano passado demos o primeiro passo para sairmos da crise, e tentaremos consolidar a saída neste ano. A perspectiva para 2018 é positiva. Os meses de janeiro, fevereiro historicamente são de baixa para o comércio, mas em março haverá a retomada, tendendo a ser mais forte que no ano passado”, finaliza Polidoro.

O economista-chefe da ACICG analisa que ?2018 pode ser o ano que marcará a saída da crise, mas faz algumas ponderações. “Sinceramente, temos tudo para isso, mas se vamos ter capacidade para tanto é outra história. O primeiro requisito essencial é a confirmação da condenação do ex-presidente Lula. A situação melhora se ele não puder ser candidato definitivamente, e fica realmente interessante se tivermos um candidato reformista, comprometido com mudanças e não com a manutenção do poder. Isso significa muito para a economia, pois os agentes econômicos vivem de expectativas e, hoje, simplesmente não há horizonte visível no Brasil. Tudo pode acontecer, até mesmo virarmos uma Venezuela grande”, expõe Normann Kallmus.?

“No gráfico podemos perceber que o final do primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff ainda influencia o nosso desempenho. A bolsa de valores estava operando com 38 mil pontos à época, e hoje passamos de 80 mil, embora em dólares, estejamos muito distantes do que tivemos no passado. Isso é bom, porque dá sustentação à retomada que, esperamos, venha rapidamente”, concluiu Kallmus.