MDB aposta todas as fichas na liberdade de André Puccinelli e afirma não ter ‘Plano B’
Por Redação Publicado 20 de julho de 2018 às 17:25hs

Não há um plano B, foi isso que afirmaram os emedebistas em coletiva de imprensa realizada às pressas na tarde de sexta-feira (20), após a prisão do pré-candidato a governador André Puccinelli (MDB). A expectativa dos políticos e aliados (PHS, PMN, PEN, PSDC, PRTB, PR, PTC, PRP e Avante) é que já na terça-feira (24) seja assinado o habeas corpus do líder partidário e a campanha retomada. A data da convenção estadual e lançamento da candidatura foi mantida para o dia -4 de agosto, na sede da Associação Nipo-Brasileira, em Campo Grande.

Sobre a operação da Polícia Federal que resultou na prisão de André Puccinelli, o filho dele, André Puccinelli Júnior, e do advogado João Paulo Calve, o vice-presidente estadual do MDB, senador Moka, declarou que [a notícia] foi recebida com estranheza por ter acontecido na véspera da convenção estadual do MDB. “Estranhamente, no ano passado, aconteceu o mesmo na véspera do lançamento da pré-candidatura de André e no anúncio de que seria o novo presidente estadual do partido”, citou.

Moka, que também é o vice-presidente regional do MDB, disse ainda que não há outro nome para a chapa. “Da nossa parte apenas solidariedade e uma crença muito grande na Justiça. Aconteceu esse fato inesperado e estamos tratando com naturalidade. Não vai mudar nada e não há plano B. Quem é o candidato? É o André Puccinelli”, afirmou.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júnior Mochi, comentou que as providencias cabíveis já estão sendo tomadas. Um pedido de habeas corpus será apresentado ao TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região). “Convenção e candidatura serão mantidas. Aqui só tem plano ‘A’ de André”, emendou o parlamentar. O parlamentar também descartou a tese de que ele poderia concorrer ao Governo do Estado como substituto, conforme alguns sites chegaram a especular.

A prisão de Puccinelli

O ex-governador e pré-candidato André Puccinelli foi surpreendido pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (20), que cumpriu um mandado de prisão provisória (sem tempo para o encerramento) em seu desfavor. A ação é fruto de uma determinação da 3ª Vara Federal Criminal de Campo Grande, na qual investiga o político, seu filho, o advogado André Puccinelli Júnior, e o também advogado João Paulo Caves por lavagem e desvio de dinheiro.

Todos eles já tinham sido presos em novembro de 2017, na quinta fase da Operação Lama Asfáltica, chamada de Papiros da Lama. Segundo as informações, novas provas envolvendo a empresa de cursos jurídicos Ícone, que pertence aos advogados Puccinelli Júnior e João Cavas, motivam o novo pedido de prisão do trio. A determinação foi assinada ainda na quarta-feira (18), a Polícia Federal precisou de dois dias para o planejamento e execução da operação.

Os mandados foram deferidos pela 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande a pedido do Ministério Público Federal, com base em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2018, que determinou a prisão de outros oito réus do mesmo caso. Entre as novas provas que foram ajuntadas ao processo estão repasses na ordem de R$ 1,2 milhão do frigorifico JBS, dos irmãos Batistas, à empresa Ícone. A polícia também juntou ao processo análises de materiais apreendidos no Instituto.

Consta na decisão que os novos elementos para a prisão seriam, em suma, documentos da Controladoria-Geral da União, Receita Federal e Polícia Federal, com análise das movimentações financeiras do Instituto Ícone e que comprovam que tal empresa estaria sendo usada como empresa de fachada, atendendo apenas aos interesses do grupo criminoso, através de Calves, que ‘emprestou’ o nome para ser um proprietário laranja.

De acordo com o MPF, pagamentos de R$ 350 mil foram feitos pelo Instituto, sendo R$ 170 mil para a conta de um escritório de advocacia, em benefício de Jodascil da Silva Lopes, preso preventivamente na 4ª fase da Lama Asfáltica, e R$ 180 mil para o Instituto de Perícias, ao que tudo indica, em benefício de Edson Giroto, também denunciado na operação e que está preso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os três detidos foram encaminhados para exame de corpo de delito e, em seguida, para o Instituto Penal de Campo Grande. Ao longo de todas as fases da Operação Lama Asfáltica, o ex-governador André Puccinelli foi apontado pela polícia como o chefe de um esquema de propina existente há mais de 10 anos em Mato Grosso do Sul.

O montante desviado dos cofres públicos e já comprovado pelas investigações já ultrapassa a marca de R$ 235 milhões, tudo ocultado através de direcionamento de licitações, superfaturamento de obras, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos.