Greve de caminhoneiros para 60% das indústrias do Estado e preocupa presidente da Fiems
Por Redação Publicado 24 de maio de 2018 às 10:21hs

O terceiro dia seguido de greve dos caminhoneiros em todo o Brasil já provocou a paralisação das atividades em 60% dos 6.201 estabelecimentos industriais de Mato Grosso do Sul, ou seja, já estão sem produzir 3.720 indústrias no Estado, conforme levantamento parcial realizado pela Fiems junto aos empresários do setor. O número preocupa o presidente Sérgio Longen, que alerta para atraso no pagamento dos salários dos 121.501 trabalhadores das indústrias sul-mato-grossenses.

“Se as indústrias estão paradas, elas não produzem e, se elas produzem, também não podem vender e, se não vendem, também não podem ter os impostos recolhidos. Na próxima semana, não tem como pagar a folha de pagamento dos nossos trabalhadores e, portanto, essa paralisação é uma preocupação imediata das empresas, pois elas não podem parar. Os caminhoneiros precisam entendem que os fretes também não serão pagos porque não têm faturamento, então é um momento grave para a economia brasileiras, mas não é com paralisação do transporte de cargas que vamos resolver essa situação”, destacou o presidente da Fiems.

Na avaliação dele, a forma de protesto utilizada pelos caminhoneiros preocupa, pois vem no momento em que o Brasil dá os primeiros passos para sair da crise. “Entendo que é justa a manifestação e está dentro do direito democrático da categoria, mas interromper a produção de setores que abastecem a sociedade não é correto e isso eu não posso concordar. Entendo como justa a reivindicação deles, precisamos redefinir o modelo de reajuste dos preços dos combustíveis porque não é aceitável simplesmente acatar os parâmetros adotados pelo Petrobras, que enxerga apenas o seu lado como empresa, sem levar em consideração a situação do resto da sociedade. É muito difícil hoje que seja mantida essa política de aumento”, analisou.

Com a experiência de mais de 30 anos no setor, Sérgio Longen acrescenta que, no passado, o Brasil migrou para o populismo também no que se refere ao preço dos combustíveis, fazendo com que a gasolina ficasse com os mesmos valores do óleo diesel. “Por que fizeram isso? É que a grande massa de trabalhadores do Brasil trabalha com veículos próprios movidos à gasolina e é óbvio que trazer o combustível a um preço mais competitivo significaria dividendos políticos para o pai da ideia e agora o custo está aí”, reclamou.

Na verdade, conforme ele, o Governo Federal precisa rever a política de preço dos combustíveis. “Claro que a política de preço da Petrobras, de avaliar o mercado internacional e a variação do dólar está correta, mas entendemos que distribuir a gasolina com um preço parecido com o do óleo diesel é complicado. Defendemos, por exemplo, que a gasolina seja mais cara e que o diesel seja mais barato, na condição de que o diesel é o combustível utilizado para o transporte da produção brasileira. Se a gente conseguir desonerar o diesel e retornar à condição que tínhamos há 15 anos, quando o preço do diesel era bem diferente do preço da gasolina, é uma maneira de acabar com essa crise”, assegurou.

O presidente da Fiems defende que cabe ao Governo Federal fazer essa avalição. “Eu conversei nesta quarta-feira (23/05), em Brasília (DF), a respeito desse assunto com várias lideranças empresariais e políticas e entendo que foi colocado como projeto a sugestão de transferir aos Estados, via redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), a solução para a crise. Porém, no meu entendimento, caso essa proposta avance, nós teríamos um novo tipo de problema. Se a União e os Estados não podem baixar impostos e se a Petrobras não pode rever a sua política de preço, como é que vamos sair desse impasse. Entendo que precisamos buscar a voz da experiência e colocar na mesa de discussões as melhores propostas para que seja encontrada uma solução que agrade a todos, pois é inaceitável hoje parar o País para discutir o preço dos combustíveis”, concluiu.

Economia Ministros do Tribunal Superior Eleitoral discutem conceder mais prazo para as defesas da ação Dilma-Temer se manifestarem no processo. Se eles acatarem as chamadas preliminares dos advogados, o julgamento- que começará na semana que vem- pode ser suspenso. O presidente do TSE, Gilmar Mendes, deve marcar o julgamento para o começo da semana que vem. Antes do ministro Herman Benjamin entrar no mérito do seu voto (cassa ou não), ele começa pelas preliminares. As preliminares são contestações e circunstâncias levantadas pelas partes do processo. A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff pediu, antes das alegações finais, que o relator concedesse mais prazo para que eles pudessem analisar documentos sobre a Lava Jato que haviam sido anexados ao processo. Eles queriam cinco dias, mas Benjamin concedeu 48 horas. Segundo ministros ouvidos pelo blog, a corte pode decidir durante o julgamento na semana que vem conceder os cinco dias às defesas. São cinco dias corridos. Se isso ocorrer, o julgamento que deve começar na semana que vem será suspenso e os advogados são intimados. Depois dos cinco dias, as defesas apresentam novas alegações finais e o julgamento já pode ser pautado novamente. O julgamento poderia ser pautado novamente na semana da Páscoa. Na quarta-feira, porém, o feriado no Judiciário começa na quarta-feira. Além disso, o ministro Gilmar Mendes estará no exterior. Neste cenário, o ministro Henrique Neves não participa do julgamento. O mandato de Neves acaba dia 16 de abril. Na semana seguinte à da Páscoa, o ministro Gilmar Mendes participará de um evento no exterior, que começa dia 18 de abril em Portugal. Depois, ele acompanha no domingo dia 23 de abril eleições presidenciais na França. Sua previsão de volta é a última semana de abril. Nas contas de integrantes da corte, o julgamento só deve ter nova data a partir da última semana de abril.