Família de jovem executado por facção não sabia que namorada era casada com preso
Por Redação Publicado 21 de fevereiro de 2017 às 10:18hs

Para a família, a morte de Richard Alexandre Lianho, de 25 anos, é difícil de aceitar. Desde o assassinato brutal, que foi filmado pelos autores, cada informação é dolorosa e desconhecida por eles. O caso foi descoberto na quarta-feira (15), quando o corpo do rapaz foi encontrado na Cachoeira do Ceuzinho, em Campo Grande e os autores detidos.

O assassinato, segundo a polícia, aconteceu depois que o rapaz se envolver com a mulher de um integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), que estaria preso na Capital. Richard seria ainda integrante do CV (Comando Vermelho) e não teria se deixado intimidar quando um dos assassinos foi tirar satisfação sobre o caso que ele mantinha com a mulher.

Depois disso, ele teria sido atraído para uma ‘armadilha’ e julgado por 25 integrantes do PCC por videoconferência. Na terça-feira (14), ele foi morto a tiros e teve o braço e o pescoço cortado. Seu corpo foi jogado em um barranco, de onde só foi resgatado no dia seguinte.

Muito abalada com o crime, a mãe de Richard, de 42 anos, preferiu não falar com a imprensa. A advogada da família, Fabia Zelinda Fávaro, conversou com a equipe do Jornal Midiamax e explicou que até as investigações da polícia, nenhum dos parentes do jovem sabia que a moça com quem ele estava saindo há cerca de dois meses, era casada.

“A família conhecia a menina, todos gostavam muito dela, ela era muito querida da família, foi uma surpresa ela ser casa com um integrante do PCC”, relatou a advogada. Segundo Fabia Zelinda, a mãe do rapaz saiu para trabalhar no domingo (12) e depois disso não viu mais o filho.

Outro ponto desconhecido à família, conforme a advogada, era o possível envolvimento de Richard com facções criminosas. “A família não sabia que Richard era integrante do Comando Vermelho, ou o envolvimento dele com qualquer tipo de crime. Quando a isso eles acreditam que não é verdade”.

Sem saber de nenhum tipo de ameaça, ou qualquer ligação com o mundo do crime, os familiares de Richard sofrem a cada novidade sobre o caso. Por conta dos exames de necropsia o corpo do rapaz ainda não foi sepultado. Agora a família espera uma vaga para conseguir enterrar o jovem.

 Investigação

De acordo com o delegado Bruno Henrique Urban, da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude) as investigações do crime continuaram em sigilo. A jovem que teria um relacionamento com Richard ainda não foi encontrada, mas deve ser ouvida nos próximos dias.

Os três autores, um rapaz de 22 anos, outro de 18 e um adolescente que teria gravado e divulgado o vídeo da execução nas redes sociais, foram detidos ainda na quarta-feira (15). Eles afirmaram que o crime foi encomendado pelo PCC depois que a maioria do grupo que participou do julgamento decidiu pela morte.

Logo que o caso era a vítima e a mulher do preso foi descoberto, o suspeito de 18 anos procurou o rapaz para tirar satisfação. Foi então que Richard teria confessado o relacionamento e afirmado ser do CV. A partir daí ele começou a ser observado de perto pelo, na época, adolescente. O rapaz fez um perfil falso no Facebook e se passando por mulher, marcou um encontro com a vítima.

Em uma quitinete no Bairro Zé Pereira Richard foi surpreendido pelo rapaz e outro adolescente, amarrado e levado para dentro do imóvel, onde teria sido submetido ao julgamento com integrantes do PCC de todo país.

Antes de ser morto, o rapaz ainda foi forçado a deixar um recado para os integrantes da sua facção: “pra todo mundo, todo o CV que está aí, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, na penitenciária aí, na rua, pra sair tudo jogado que o que está acontecendo comigo pode acontecer com você também”.

Os dois suspeitos mais novos foram descobertos pela polícia durante outra investigação, a de um roubo em Três Lagoas. Eles teriam participado do assalto a um malote de R$ 60 mil e fugido para a Capital em seguida.

Fonte: Midiamax/Geisy Garnes