Estudos avaliam quantidades ideais de nutrientes para híbridos de tomate
Por Redação Publicado 7 de outubro de 2015 às 17:23hs

A parceria resultou no lançamento de uma série de híbridos de tomate que já fazem parte da dieta dos brasileiros

Agora, a Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) e a empresa de sementes Agrocinco reforçaram a parceria com um novo trabalho: a Unidade vem avaliando os acúmulos de matéria seca e nutrientes de híbridos de tomate, visando agregar valor aos materiais.

Conhecido como curva de crescimento ou marcha de absorção, o trabalho é apontado como uma importante ferramenta para identificar a necessidade nutricional da planta, ponto fundamental para o correto manejo da fertilidade do solo, substrato no qual ela irá adquirir os nutrientes. Além disso, essa informação é útil também para os produtores que cultivam o tomateiro em ambiente protegido com sistema semi-hidropônico (uso de fibra de coco inerte como substrato para desenvolvimento de plantas).

No caso do tomate, com alto nível de exigência em nutrientes, avaliações feitas por diversas instituições de pesquisa têm demonstrado que a hortaliça acumula grandes quantidades desses insumos, tanto nas partes comestíveis quanto em folhas e ramos. O pesquisador Juscimar da Silva, da área de Nutrição de Plantas e que vem coordenando as ações, explica a importância desse conhecimento:

“Sem uma correta avaliação, é de se esperar que ocorram equívocos na estimativa da quantidade de fertilizantes a ser adicionada, o que pode acarretar um desequilíbrio nutricional – a deficiência ou o excesso de nutrientes são responsáveis diretos pela queda de sanidade das plantas e, a depender da severidade, pode favorecer o aparecimento de insetos-praga e induzir o produtor a fazer uso de agroquímicos para controlá-los”.

Segundo o pesquisador, a parceria firmada entre as instituições teve como mola propulsora a demanda por informações/orientações a respeito da marcha de absorção de nutrientes por parte da cadeia produtiva de tomate. “Os produtores querem respostas sobre o momento exato de adubar e a quantidade adequada de nutrientes a ser aplicada, já que os níveis exigidos de fertilizantes têm se mostrado específico para cada nova cultivar”, reconhece Silva. Como exemplo, ele cita o híbrido BRS Nagai, um dos frutos da parceria entre a Embrapa Hortaliças e a Agrocinco.

– Foi constatado que o BRS Nagai tem maior tolerância à adubação foliar com fertilizantes à base de cobre, que é um micronutriente. Além disso, foi constatado também que esse híbrido acumula grandes quantidades de nitrogênio que não são, necessariamente, convertidas em produtividade. A partir desse conhecimento, os produtores querem saber o momento em que o nutriente é mais exigido, e isso só é possível através da marcha de absorção.

Processo

O trabalho, iniciado em 2014 em ensaios com o tomate BRS Nagai, está sendo repetido com outros materiais: BRS Kiara, BRS Portinari e BRS Zamir. No momento, a fase é de finalização dos trabalhos em laboratório e processamento dos dados, quando todas as partes aéreas da planta são submetidas à secagem, seguida pela solubilização ácida e quantificação dos nutrientes. A quantidade de nutrientes identificada nas diferentes partes da planta é somada e o total equivale ao valor acumulado durante o seu ciclo vegetativo completo, ou seja, a demanda nutricional do tomateiro.

O pesquisador destaca que a ideia é fazer a coleta periodicamente, para saber em que momento do cultivo seria mais recomendável a aplicação e quais os insumos mais adequados para cada fase. “Por exemplo, o fósforo é mais exigido no início do plantio e o nitrogênio geralmente é mais demandado nas fases iniciais para produção de folhagem. Já o potássio é mais requerido durante a fase de formação dos frutos”, anota Silva, acrescentando que a marcha de absorção foi também determinada para o melão e a batata-doce.

Fonte: Portal do Agronegócio