EMPIRICUS – Vão confiscar a poupança?
Por Redação Publicado 20 de fevereiro de 2015 às 13:20hs

EMPIRICUS 21.02

O Cavalo de Tróia

Encerramento de semana curta atípico para a Bolsa brasileira.

Todos comemoraram mundo afora e como se não houvesse amanhã a ressurreição grega. Os esquerdas radicais no discurso não pareciam tanto assim na prática, e foram beijar a mão dos banqueiros centrais da União Europeia…

Sem que a ressurreição estivesse garantida.

Mas, frios e calejados, os alemães suspeitaram que, sem nenhuma garantia de real compromisso da Grécia com reformas estruturais, o presente grego poderia ser… grego.

E deu no que deu.

Por enquanto, dá em bolsas de ressaca e dólar perto de R$ 2,90.

Acadêmicos da Grande Rio desnudaram o Carnaval Cambial

Acadêmicos da PUC-RJ acabaram de publicar um estudo esclarecedor (ou seria estarrecedor?), concluindo que as intervenções do Bacen brasileiro sobre o mercado cambial NÃO reduziram a volatilidade do USDBRL.

Por que essa conclusão é tão relevante?

Pois nosso BC atua com leilões pesados sob a justificativa de amenizar a volatilidade do câmbio (dentro do que a literatura financeira chama de “fear of floating”).

No entanto, eu, você e os professores Marcos Chamon, Márcio Garcia e Laura Souza sabemos que essa justificativa usada pelo BC é apenas uma muleta para outro objetivo concreto: o de tentar segurar a valorização do dólar.

Tentou-se e, conforme mostra também o estudo, houve alguma eficácia nesse sentido durante a 1a fase de intervenções, de agosto a novembro de 2013.

Porém, de dezembro de 2013 a fevereiro de 2015 (hoje mesmo, foram colocados 13 mil contratos de swap cambial ao valor de USD 628 milhões), posso lhe afirmar que a eficácia virou pó.

O Bacen continua comprometendo as reservas internacionais, agora sem conseguir segurar o dólar. Enfim, a intervenção cambial vai dando sinais de cansaço, mesmo dentro dos corredores do Banco Central.

Parece-me óbvio – a mim e à Marquês de Sapucaí – que real é para baixo e dólar é para cima.

Quem sabe George Soros não liquidou sua posição em Petrobras para reforçar um short (posição vendida) em USDBRL?

Não seria a primeira, nem a última vez.

Para nunca mais errar

Ontem listei no M5M algumas perguntas para as quais não tenho a mínima ideia da resposta, mas sou questionado diariamente.

Apesar da conclusão inequívoca, de quem ninguém na face da terra tem essas respostas, recebi uma enxurrada de emails dos leitores se aventurando.

A questão grega era apenas uma delas. Seguem as respostas predominantes:

– A quantos pontos estará o Ibovespa ao final de 2015?                                                                    

?56 mil pontos (média de estimativas dos leitores)

– Qual o tamanho da baixa contábil da Petrobras?
R$ 35 bilhões (média das estimativas do leitores)

– No final das contas, a Grécia fica ou sai do Zona do Euro?                                                        

 Fica (para 84% dos leitores)

– Quando exatamente o Banco Central americano irá subir sua taxa de juros??                               06/15 (resposta predominante). “Nunca”, para cerca de 10% dos leitores (!!)

– O petróleo voltará a US$ 100 por barril?                                                                            

 Quando?? 2032 (resposta de um leitor – não houve algo sequer próximo de um consenso)

– De quanto será o crescimento da economia chinesa em 2018?                                                  

 ?5,5% (média das estimativas dos leitores)

– Por que a considerable number of Brazilian equity analysts escrevem em inglês para clientes predominantemente brasileiros??                                                                                    

“Porque brasileiro tem complexo de vira-lata e é capaz de acreditar que a versão em inglês da análise tem mais credibilidade” (resposta selecionada de um leitor)
A minha conclusão: leitor do M5M é, na média, insistente e bastante otimista.

 A principal dúvida do leitor

Muito embora eu receba essas questões acima diariamente na caixa de email do M5M (mercadoem5@empiricus.com.br), nenhuma chega sequer perto em frequência do que a seguinte:

“Há mesmo risco de o governo confiscar a poupança? O que devo fazer?”

Bom, não é segredo que somos críticos do governo, então estamos em plenas condições de dizer de forma imparcial que esta proposta é completamente sem sentido, pois acabaria com uma economia que já não cresce e destruiria com o que resta de popularidade da presidente.

A minha grande dúvida: o que leitor do M5M ainda faz com dinheiro na poupança?

Quanto vale esta maçã?

Ontem comentamos sobre os recordes da ação da Apple na Bolsa americana, com o valor de mercado da empresa atingindo US$ 750 bilhões, dinheiro capaz de comprar o Ibovespa inteiro.

Poxa, mas US$ 750 bilhões não são algo caro demais para a Apple?

Bom, a companhia está inserida no setor de tecnologia, possui uma dinâmica de margens elevadas, inovação e elevado crescimento de lucros…

Dando alguma referência para este valor de mercado, vemos que Apple talvez esteja – pasme – barata a US$ 750 bilhões.

Considerando que a empresa não carrega uma parcela de dívida relevante, e, do contrário possui US$ 145 bilhões em caixa, e, tomando por base os seus lucros, sugere uma relação da ordem de 17x preço/lucro, nada surreal para o universo de consumo/tecnologia.

Encontramos facilmente na Bolsa brasileira ações negociando com múltiplos superiores a isso, como Raia Drogasil, Brasil Foods, AmBev, Weg, Linx, Hypermarcas… que não necessariamente estão caras.

Tudo é relativo.

Uma empresa pode valer zero na Bolsa e não necessariamente ser barata. Uma PDG ou Petrobras, por exemplo, ainda que as ações estivessem a R$ 0, ainda carregariam dívida líquida de, respectivamente, R$ 7 bilhões e R$ 261 bilhões

Blue Chip a preço de banana?
Na edição dessa semana das Barganhas da Bolsa introduzimos uma Blue Chip, ação muito líquida, de empresa boa, que está a preço de banana. Posso garantir que não é Vale, Ambev, muito menos Petrobras. E menos óbvia do que Itaú.

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Fonte: EMPIRICUS – Vão confiscar a poupança?