Com seminário, Câmara reúne autoridades e promove debate sobre política e ética
Por Redação Publicado 19 de abril de 2018 às 09:56hs

Com a realização do seminário “O Cidadão que Devemos Ser e a Política que Queremos Ter”, realizado na tarde desta quarta-feira (18), a Câmara Municipal de Campo Grande trouxe o debate e a reflexão sobre corrupção, política e ética nos tempos atuais. O evento, realizado no Plenário Oliva Enciso, teve como um dos principais objetivos discutir a importância do voto no processo de construção do futuro do País.

“Há a dificuldade de as pessoas entenderem que o voto é uma procuração. Quando eu dou uma procuração pra um advogado, para que ele me represente, vou cuidar muito bem disso, e vou querer saber se meus bens estão sendo corretamente defendidos. A diferença é que o cidadão, muitas vezes, confere a procuração, só que não acompanha mais, ele some da casa. Você pergunta muitas vezes para um brasileiro em quem ele votou para o Legislativo, nas ultimas três eleições, e ele nem lembra mais. Então não é simplesmente a obrigação do voto, mas é o exercício do voto. O exercício do voto implica em responsabilidade ética do cidadão”, defende a advogada e mestre em Psicologia Social da Saúde, Gysélle Saddi Tannous, uma das palestrantes do evento.

O seminário, que teve como proponente o vereador Dr. Lívio, está em sua segunda edição. Em 2016, o evento contou com a presença de convidados renomados para falar sobre os temas “Corrupção: a verdade por trás do ditado”, “A ocasião faz o ladrão”, “Corrupção e lavagem de dinheiro” e “Ética em mim”. Da mesma forma, este ano, os palestrantes convidados fizeram uma explanação sobre temas como corrupção, atuação política e modelos éticos.

“A gente procura fazer isso em um ano eleitoral exatamente para trazer a reflexão. A temática básica é a corrupção, prevenção a corrupção, combate a corrupção, e a ética. A ética não só aquela subjetiva, mas aquela do dia a dia, de ‘linkar’ cidadãos que queremos ser com a política que a gente quer ter. Nós precisamos entender que evoluímos como sociedade a partir do momento que a gente melhora como ser humano”, analisou o parlamentar.

Em sua análise, o professor Tito Carlos Machado de Oliveira, geógrafo e cientista político da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), acredita que o Brasil não passa por uma crise ética. “A ética sempre foi essa que está aí, precisava ser mostrada. Agora temos um espaço de isso ser efetivamente mostrado. Nós estamos vivendo um momento extremamente rico, que é um momento onde há uma liberdade que não tivemos antes, nesses últimos 30 anos. E quando eu falo liberdade, não estou falando que antes houve ditadura, não estou falando simplesmente daquela liberdade que a gente costuma conceituar nos livros. Estamos vivendo um período riquíssimo, e como todo período rico, acho que a gente vai dar salto de qualidade para melhorar”, comenta.

Já o Superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Luciano Flores de Lima, ex-integrante da força-tarefa da Operação Lava-jato, palestrou sobre o tema “Pobre País Rico: os estragos da corrupção no desenvolvimento do Brasil”. Para ele, o desvio de recursos reflete nas mais diversas áreas. “A corrupção traz falta de recursos para investimentos na área social, principalmente na educação, na segurança e na saúde”, resumiu.

No final do seminário, o ator João Signorelli, conhecido por interpretações em novelas, filmes, minisséries e peças de teatro, encenou o monólogo “Gandhi, a ética inspiradora”.