Claudia Jimenez: “Eu não sou frágil
Por Redação Publicado 20 de agosto de 2014 às 10:21hs

Nove meses após enfrentar uma cirurgia para a implantação de marcapasso no coração, atriz comemora a volta à TV como protagonista da série ‘Sexo e as Nêga’, que estreia em setembro, e fala pela primeira vez, com exclusividade, a um veículo impresso
Claudia Jimenez nunca esteve tão bonita.

Já foi magra como agora, mas desta vez sua silhueta parece ser definitiva. Elegância sempre foi sua marca. E vaidade também. Mas, no início do papo com o jornalista de QUEM, fica claro que algo mudou nesse quesito. Para as fotos, feitas em sua casa, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, a atriz caprichou, é claro. O belo – e caríssimo – par de brincos Antonio Bernardo se destaca no look. No dia a dia, porém, Claudia não se atém mais aos detalhes chiques.

claudia

A sequência de problemas de saúde – três operações de peito aberto, cinco pontes no coração, reconstrução da válvula aórtica e implante de marcapasso, tudo causado por uma radioterapia contra um câncer – fez com que ela repensasse a vida. “A gente se modifica”, diz. E se dizem que ela é frágil, retruca: “Sou forte pra caralho!”. Preocupação, agora, só uma: as gravações da série Sexo e as Nêga, que estreia em 13 de setembro com direção de Miguel Falabella. Na entrevista, a primeira exclusiva concedida a um veículo impresso desde a última operação, Claudia mostra que não perdeu o bom humor. Seus fãs podem respirar aliviados.

UEM:  Com tantos problemas que você passou, já consegue rir de tudo isso?
CLAUDIA JIMENEZ:  Agora sim. Começa a ficar divertido quando entro numa loja e o alarme apita por causa do marcapasso. Já grito: “Não roubei nada!”. No aeroporto é só farra, mostro a carteirinha, brinco, e não preciso passar pelo raio X.

QUEM:  Você acredita que o bom humor ajuda a curar?
CJ: Claro! Quando coloquei as pontes no coração, o Miguel (Falabella) chegou ao CTI falando barbaridades, fez todo mundo rir, arrebentou os pontos dos doentes: “Olha ela, tá brilhando, que palhaçada, toda entubada, só dá ela no Jornal Nacional: ‘Claudia comeu papinha hoje, Claudia mudou o oxigênio’” (risos). Isso faz a gente se sentir viva.

QUEM:  Mas o pós-operatório pesa, não?
CJ: Imagine saber que seu coração ficou numa bandeja por sete horas enquanto seu sangue circulava numa máquina. Ou chegar em casa, deitar e sentir com a mão o marcapasso implantado dentro do seu peito… A parte física, dor, corte, a gente resolve rápido. O ruim é o emocional.

QUEM:  Desta última vez foi pior, com o aparelho?
CJ: Mexeu comigo. Comecei a pensar que meu corpo já não dava mais conta. Fiquei me sentindo como um Gordini quebrado que a gente tem que levar pra trocar peça a toda hora (risos). Não era uma graça o Gordini? Adoro… (risos).
QUEM:  Você é otimista?
CJ: Sempre. Alguns falam: “Ai, você é tão frágil”. Frágil? Saí cedo de um câncer agressivo, a radioterapia me salvou, mas ao mesmo tempo criou os problemas no coração, cinco pontes, marcapasso… Não sou frágil. Sou forte pra caralho!

QUEM:  As pessoas perdem tempo com bobagens?
CJ: Dá pra levar a sério a vida? É tudo passageiro. A gente tá aqui hoje e amanhã não sabe de nada. É preciso saber que tudo vai ter fim. Fica mais fácil viver.

QUEM:  Que conselhos você daria para as pessoas?
CJ: Falo para quem quiser ouvir:   façam escolhas ouvindo aquela voz interna. Ninguém sai do bolo ouvindo voz externa, vai ser medíocre se fizer isso. Só assim a gente fica sabendo quem realmente é.

QUEM:  Você fez isso no começo?
CJ: Avisei os meus pais para não gastarem com curso superior. Na época não havia faculdade de teatro e eu queria ser atriz. Estudei com o Luiz Carlos Maciel (roteirista) e a Camila Amado (professora de interpretação). Fiz muita peça infantil, tinha um grupo com a Bia Seidl (atriz). Na primeira peça a Bia, linda, era a Dona Sereia, e eu a Dona Baleia (risos).

QUEM:  Quando seus pais entenderam que você realmente seria atriz?
CJ: Aos 18 anos, entrei no musical  Ópera do Malandro, do Chico Buarque, sucesso com Ary Fontoura, Otávio Augusto. Meus pais adoraram. Mas a ficha só caiu quando chamei o elenco para comer um bobó de camarão na minha casa. Foi todo mundo! Chico Buarque cantou tango com meu pai. A Marieta não comia camarão e minha mãe teve que preparar algo diferente… Ali eles entenderam.

QUEM:  A TV demorou para descobrir você?
CJ: Duas semanas! Eu fazia a prostituta Mimi Bibelô na peça e o Sherman (Maurício, diretor da emissora) me viu. Mandou contratar. Aí me chamaram para fazer a abertura do Viva o Gordo, programa do Jô Soares. Depois entrei no elenco e fiquei quatro anos.

QUEM:  A Escolinha do Professor Raimundo veio em seguida?
CJ: O Chico Anysio me roubou (risos). Aprendi muito fazendo a Cacilda. Foi minha Sorbonne!  Walter D’ávila, Brandão Filho… Eu ria muito com o Lúcio Mauro! E hoje é muito difícil me fazer rir.

QUEM:  Por quê?
CJ: Depois de conviver com estes artistas por seis anos não é fácil rir de algo. Não vejo graça no humor americano, por exemplo. Mas gosto do trabalho do Paulo Gustavo. Ele faz de verdade. Quem ri é o público, não o comediante.

QUEM:  E do humor dos comediantes mais jovens na TV e internet?
CJ: Não gosto de ofensas. Se uma gordinha passa, é fácil fazer piada. Hoje está na moda ser politicamente incorreto, mas eu sou o contrário. Minha saída do Sai de Baixo (programa da TV Globo) foi por isso. Não concordava com piadas que depreciavam colegas. Eu não topava e saí. Não foi por estrelismo como espalharam maldosamente. Saí porque queria melhorar o produto final. E a Globo entendeu isso.
QUEM:  Como vai ser o seriado Sexo e as Nêga?
CJ: O título brinca com o Sex and the City. Assim como no seriado americano, vai ter uma narradora, que sou eu. Meu personagem tem um bar e uma rádio popular em Cordovil. É um seriado de humor, mas não de piadas. O público vai amar. “As Nêga” do título são quatro atrizes talentosas, escolhidas com rigor pelo Miguel, todas cantam maravilhosamente bem.

QUEM:  Fisicamente sabemos que seu coração está bem. Mas e a parte romântica?
CJ: Nesse momento não vejo espaço pra isso. Sem contar que eu tenho a Stella (Torreão, com quem Claudia foi casada dez anos), que hoje é minha melhor amiga. Faço com ela tudo o que se faz com um marido, menos a parte sexual, que já não existe mais entre nós. Ninguém se arrisca em nada sem falar com a outra antes. Ela é meu anjo. Stella, minha mãe e minhas quatro irmãs são tudo para mim neste momento.

QUEM:  Você teve uma fase agitada, garotões, boates, caipirinha… Parou?
CJ: Não consigo me ver ali. Parece que uma entidade assumiu meu corpo e depois subiu (risos). Ou então que tomei um ácido doidão e passou o efeito (risos). Minha turma era de amigos, mas todos mais jovens. Paulinho Vilhena, Fernandinha Rodrigues. Só de show da Preta Gil eu vi uns três (gargalha). Hoje não bebo, sigo dieta rigorosa e se me chamarem para uma boate acho que desmaio (risos).

QUEM:  Os garotos sumiram?
CJ: Tentaram muito ainda, mas eu avisava que aquela mulher não existia mais…

QUEM:  Mas ninguém se aproxima, Claudia? Você está ótima…
CJ: Até pintam uns coroas… (risos). Tem um querendo que eu vá viver no mato, numa casa com chaminé que faz fumaça, forno a lenha. E o teatro, o cinema? É cedo pra eu me mudar para a floresta… (risos).

Fonte: Quem

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