Camarão do Pantanal é termômetro de qualidade dos rios pantaneiros
Por Ariel Moreira Publicado 31 de março de 2017 às 17:50hs

Pequeno, transparente, de água doce e morador dos rios pantaneiros de Mato Grosso do Sul. Este é o Camarão do Pantanal, registrado cientificamente como Macrobrachium pantanalense, espécie descoberta em 2013 pela pesquisadora Lilian Hayd, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems). O crustáceo tem a função de indicar a qualidade da água em que está inserido, pois a espécie só consegue sobreviver em rios sem poluição.

Segundo a professora da Uems, o Camarão do Pantanal é usado como bioindicador de qualidade ambiental, porque ele só fica em águas que tenham boas condições de uso. E um bom sinal é que ele já foi identificado no pantanal da Nhecolândia, de Aquidauana, do Rio Miranda e do Rio Negro.

“Ele é utilizado na ecotoxicologia (estudo que visa verificar a toxicidade do ambiente), porque quando queremos saber, por exemplo, até quando um organismo tolera se um ambiente estiver poluído, o camarão é um bom indicador da qualidade de um ambiente. Se formos em uma lagoa ou bahia no Pantanal e não tiver camarão, ao mensurar os parâmetros físicos químicos, geralmente, percebemos que eles estão comprometidos. Se tem camarão o ambiente é bom, tem uma certa qualidade ambiental nos parâmetros físicoquímicos da água”, explica Lilian.

O grupo Carcipanta, que trabalha com crustáceos do Cerrado e Pantanal, coordenado pela professora Lilian Hayd, está desenvolvendo diversos estudos e já conseguiu comprovar que o Macrobrachiumpantanalense é sim uma nova espécie por meio de análises da sua morfologia, bioquímica e genética.

“Isto porque ele havia sido confundido com o Camarão da Amazônia, contudo o Macrobrachium amazonicum, apesar de ser transparente também, é diferente e mede até 16 centímetros, enquanto o nosso, Macrobrachium pantanalense, chega até, no máximo, seis centímetros”, explica a professora.

De acordo com a pesquisadora, o camarão é pequeno e, por isso, não serve para consumo, mas serve como isca viva, para a aquicultura ornamental (criação em aquários) e alimentação de peixes na psicultura.

“Por ser pequeno, nós indicamos para aquicultura ornamental, porque ele é um grande atrativo no aquário, pois é transparente, então, consegue-se observar os órgãos internos e ao mesmo tempo ele não tem problema de predação em relação a alguns tipos de peixes. Para isca, os pescadores não gostam do camarão porque ele é um pouco mole, mas para criação em aquários, com certeza é um bom atrativo”, esclarece.

O crustáceo tem como característica ser totalmente transparente, possibilitando ver todas as estruturas dele. O que muda em alguns casos, explica a docente, é quando o camarão faz diferentes tipos de alimentação, deixando o tubo digestório de cores diferentes, contudo isto não interfere na coloração do corpo, somente no tubo digestório.

O grupo é composto por pesquisadores brasileiros e também do Chile, da Alemanha, de Portugal, da Argentina, do Uruguai e da Inglaterra. Eles estão conhecendo a espécie (da larvicultura a reprodução) e já fizeram análises de nutrição e definição do protocolo de reprodução em laboratório.

“Nós estudamos, primeiramente, ele na natureza, porque tínhamos que conhecer o aspecto ecológico do camarão, para poder fazer esta reprodução em laboratório. Hoje nós temos a larvicultura e o crescimento dele, já fazemos tudo fechado dentro do laboratório com êxito”, explana.

A alimentação dos crustáceos é diferenciada, na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) eles chegam a comer pudim com leite Ninho e anel de lula. Na Uems é utilizada uma metodologia da Alemanha para alimentação com artêmias, que são trazidas do Nordeste.

Conforme a professora, o Camarão do Pantanal não está em risco de extinção, pois ainda é encontrado em abundância. Ele também é muito importante na cadeia alimentar, porque serve de alimento para pequenos peixes.

Segundo a pesquisadora, o destino do camarão deve ser a aquariofilia, pois, para consumo é preciso que tenha em grande quantidade e oferta com maior frequência, “e isso a gente não consegue, porque ele tem pouca quantidade de ovos, é no máximo 648, isto para a aquicultura é muito pequeno. Quando se fala que um camarão tem potencial, é quando uma única fêmea tem quase 100 mil ovos”, ressaltou.

Mas em algumas fazendas pantaneiras, o camarãozinho acaba indo para panela, pois quando os pescadores batem peneira para pegar iscas eles pegam bastante camarão, especialmente no Pantanal do Negro, então fazem farofa de camarões fritos. “No Pantanal as pessoas o reconhecem como camarão e ele é muito saboroso, como é de água doce, não é enjoativo e pega ervas e temperos de uma forma muito fácil, sendo o preparo em dois ou três minutos, ele é muito prático de cozinhar”.

Fonte: Portal do MS

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