Agricultores de MS correm risco de perder todo o milho safrinha
Por Redação Publicado 24 de março de 2017 às 08:06hs

De US$ 63 milhões por dia a US$ 74 mil. Esta foi a queda das exportações brasileiras de carne registradas pelo Ministério do Desenvolvimento diante da Operação Carne Fraca, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal. O valor de US$ 74 mil representa, segundo o ministério, toda a venda de carnes ao exterior realizada na última terça-feira. O dado foi interpretado como um sinal evidente da cautela dos importadores estrangeiros diante da crise no setor, apesar dos esforços do governo para derrubar barreiras à compra do produto nacional.

A crise, no entanto, não afeta apenas as exportações de carne vermelha. Ao suspender a importação da carne de frango brasileiro, por exemplo, os mercados internacionais também geram graves prejuízos para os produtores de grãos, impactando diretamente outras cadeias como a da soja e do milho.

“Trata-se de um tsunami na produção agropecuária do Brasil”, lamenta o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli. “Não só a produção de carnes irá sentir o impacto dessa ação, como também os preços dos grãos que compõem a ração animal, que já estão em um momento de preços mais baixos”, completa.

O milho safrinha, por exemplo, que é a segunda colheita do milho plantado –um produto mais fraco–, é destinado à ração animal. E o ciclo é vicioso, diz a senadora Simone Tebet (PMDB), que ontem expôs sua preocupação. “Se o mercado asiático, nosso maior comprador de carne branca, para de comprar o frango brasileiro, isso afetará o agricultor. O produtor não vai produzir, em consequência não vai comprar o grão que viraria ração. Se a questão aviária não for urgentemente resolvida, esse milho safrinha vai quase todo para o lixo”, alertou.

A senadora disse ainda que o país corre contra o tempo para evitar danos maiores à economia, especialmente em relação à safrinha de milho. “Temos 30 dias. O mercado suporta este período de embargo. Mas precisamos fazer com que esses países revejam suas posições. A Coreia do Sul já reviu, o Chile também. Precisamos que Hong Kong, China e Japão, nossos maiores compradores de carne branca, façam isso imediatamente”, afirmou.

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) concorda. “Temos alguns dias para resolver esta situação, que é muito grave. Temos de convencer esses países de que tudo não passou de um problema pontual”, afirmou.

Fonte: O Estado Online/Victor Barone e Iuri Guerrero